Ê putaria

24/09/2010 at 20:08 (Não categorizado)

Era uma vez Afrodite, a deusa grega da beleza e do sexo. Saiu das espumas do mar de Chipre e deu à luz outro deus grego, Eros, a divindade do amor e da paixão. Conhecem-se estes criadores através de outros nomes na mitologia romana, Vênus e Cupido, respectivamente. Também são reconhecidos pelos termos afrodisíaco, erótico, erógeno, entre outros diversos popularizados pelo senso comum e já pertencentes aos arquétipos coletivos.

O fato é que Afrodite furiosa ao ter conhecimento de uma mortal tão linda como Psiquê, encomendou a seu filho Eros, que a atingisse com uma de suas flechas para que esta se enamorasse por um ser descomunal. No entanto, Eros apaixona-se por Psiquê, talvez acidentalmente atingido por uma de suas setas. Eros casa-se com a linda moça, todavia com o intento que esta nunca mirasse em seu rosto, pois isto significaria o fim do amor deles. Psiquê “a alma” não tendo aguentado a promessa feita, observa-o e encanta-se com tamanha beleza, Eros flagra-a e abandona-a. Sentindo imensas saudades de sua amada, perdoa-a e o Deus do Olimpo transforma-a em imortal, e finalmente, há a sublime junção entre o amor e a alma.

Sexo, sexo e sexo… esse pensamento obsessivo existe há bastante tempo, desde os panteões gregos e romanos, e a partir daí tornou-se a principal preocupação de todos os seres humanos, e até mesmo de deuses. Arrisca-se a dizer que a sociedade é sexocêntrica, tanto que a teoria mais aceita em relação ao aparelho psíquico – “a alma” – dos homens é a psicanalítica, que gira em torno da libido, ou seja, da energia sexual de cada ser. A pulsão de vida é coordenada por essa procura instintiva do prazer, que é encontrada mais facilmente, principalmente pelos homens, através de relações sexuais. Com a liberação feminina, ou melhor, com a liberação moral, as mulheres estão quase se eqüiparando aos homens no que se diz respeito a quem procura mais alcançar essa necessidade sensual.

É visto que os homens, nesse caso, não usando um termo de gênero, e sim de raça, esquecem que o pênis e o clitóris são ordinários receptores sensitivos, e que ao contrário do que todos imaginam, o sexo não é controlado pelo sistema nervoso periférico e sim pela vasta rede formadora do sistema nervoso central. Se alguma conexão integrante do telencéfalo não estiver funcionando corretamente, o sistema periférico não conseguirá realizar as suas funções. O sexo envolve muito mais que estimulações sensoriais e sim uma vasta gama de sentimentos e emoções, e que talvez por isso, os seres humanos estejam sempre tão ocupados em estar procurando por novos parceiros com quem se relacionarem, e nunca se contentam com um único e satisfatório companheiro, pois não se lembram que é preciso compreender e dispor-se de muitos significados auto-psíquicos antes de conseguirem manter uma conexão sexual.

A sociedade e a perpetuação desta podem ser movidas por instintos primitivos, e continuarão a ser. A espécie homem acorda, trabalha, relaciona-se e realiza suas tarefas simplesmente pela estimulação da libido e pela procura do prazer. Os humanos esquecem que possuem um telencéfalo demasiadamente desenvolvido e não o usam, acreditam que suas vidas serão estimuladas pelo instinto, e somente por este, e muitos morrem sem ao menos terem usado a capacidade cerebral que possuem. Dizer que o ser humano é um ser inteligente é um equívoco. O ser humano pode ser uma espécie raciocinativa se conseguir conciliar o que há de padrão inato de comportamento como a busca pelo sexo, a maternidade e a poligamia com o que existe de racional, isto é, a procura pelo que as suas emoções, seus sentimentos, suas intuições e a sua razão pedem.

O que é mais intrigante e somente corrobora toda esta teoria é que este sistema sexual envolve tantas interconexões nervosas, que é impossível e desprezível considerar que o sexo pode ser algo casual e esquecer-se de que é algo extremamente complexo. Um indivíduo ao colocar a mão em um fogão quente, logo a tira e não é preciso relembrá-lo que ele não pode mais colocar a mão ali, pois sentirá dor. Isso é um reflexo medular doloroso. Agora alguém ao apaixonar-se, sente dor e sofrimento e continua colocando-se naquela mesma situação por inúmeras vezes, mesmo que ele tenha sabido, racionalmente, que aquilo só provocará mais sofrimento. Definitivamente, nossas emoções referentes à libido não são nem um pouco simples, e sim repleta de representações emocionais conscientes e inconscientes, e que, claramente e sem hesitações, nenhuma divindade grega, por mais supremo, e até mesmo, perfeito que seja, conseguiria compreender.


"Let's dance little stranger
Show me secret sins
Love can be like bondage
Seduce me once again

Burning like an angel
Who has heaven in reprieve
Burning like the voodoo man
With devils on his sleeve

Won't you dance with me
In my world of fantasy
Won't you dance with me
Ritual fertility"

* Dance with me - Nouvelle Vague


“I’m not saying right is wrong

it’s up to us to make

the best of all the things

that come our way

‘cos everything that’s been has passed

the answer’s in the looking glass

there’s four and twenty million doors

On life’s endless corridor”

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4 Comentários

  1. moralina 10 mg said,

    Bah mari! O que posso dizer sobre tema tão profundo?

    Sem recorrer a nenhuma sabedoria ancestral, tampouco ciência, vou andando nas linhas da vida com meu axismo nesse assunto. Penso… indubitavelmente que: o sexo sempre foi o “alimento” da minha essência, ou um certo reflexo dela, dejeto do dia-a-dia. Fetiches, ganâncias, sadismo, carinho, obsessão, repulsa, fuga, embriaguez, loucura, aventura, ousadia, amor, dor, individualismo, entrega, “sentimentos que só sentiu aquele que alçou vôo de desgraçada sorte”.
    E o mais interessante disso tudo é: poder sentir isso em comunhão com outra pessoa, tais sensações. Uma grande troca de energias.
    Uma indagação que tenho, nesse sentido é: com o tempo, essa “troca de energias” se torna mais intensa, ou morna como nos dizem as estatísticas? O meu íntimo implora pelo contrário, mesmo que, sem esperanças.

    • mariannalago said,

      eu tb tenho a sensação que a tendência é ficar mais morno, acredito que pelo avançar da idade e pela perda do vigor da juventude, concorda?

  2. moralina 10 mg said,

    Não. Até porque o que me seduz não é puramente a estética, ou o sexo enquanto advento da saúde, prefiro enxergar-lo de forma mais espiritual, metafísica.
    Acho que o ficar morno reside na monotonia, falta de interesse mútuo, criatividade, amor, paixões, confiança demais ou de menos.
    Mas a real é que não sei ao certo, porque nunca fiquei “muito tempo” com ninguém. Apesar de sempre buscar alguém que me satisfaça integralmente de forma equilibrada.

  3. mariannalago said,

    talvez seja pq vc nunca permaneceu com uma mesma amante durante muito tempo, isso sim é uma tarefa MUITO difícil… sexo para ser excitante precisa de suspense e novidade…
    e sim, com a idade, infelizmente, a gente perde aquele vigor da juventude

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