Ser ou não ser? Eis a questão!

27/09/2010 at 17:55 (Não categorizado)

O que é viver? Respondendo de uma forma simplória, sutil e talvez esclarecedora, seria sentir-se vivo. Costumo dizer que para você realmente saber que viveu, ao longo de sua vida, você precisa ter experimentado a dor e o prazer intenso. Outro questionamento talvez irrelevante, porém que no momento não me parece, seria o que é existir e o que é viver? São a mesma coisa? Seria inútil de minha parte pensar desta forma, aliás, seria restrito e não pensante.

Para tentar se saber o que é viver, é antes necessário criar um pensamento sobre o que é existir. E para criar um pensamento e agora roubo os pensamentos de Godard, que a propósito, encaixar-se-ão exatamente na idéia que quero lançar, pensar seria pensar em outra coisa. Haja vista que para você pensar em algo, antes é necessário pensar em outra coisa. Como? Para eu traçar um pensamento, e usando o mesmo exemplo de Jean-Luc, analisar uma paisagem nunca vista, é devido ao fato de eu analisei outras paisagens que eu já teria visto e concluí que esta eu nunca enxerguei.

Portanto, existir, de uma forma analítica, não é a mesma coisa que viver. Viver faz parte da existência. Porém, não é porque você existe, que você vive. E não é porque você vive, que você existe. Existir é uma questão muito mais de metafísica que me renderia milhões de pensamentos, os quais não me levariam à criação nenhuma, não obstante, viver é algo que eu já defini, por exemplo, nesse texto.

E ainda lembrando valores como morte, diversão, superficialidade, e prazer, concluí que os indivíduos em depressão são os que mais vivem nesta galáxia desconhecida em que presumimos existir. Eles sofrem de uma dor intensa, realmente masoquista e que ao meu ver, talvez seja sádica. Visto que a pessoa depressiva preza tanto pelo morrer, que ela não está nada mais, nada menos, do que vivendo como ninguém nunca conseguirá experimentar. E é realmente muito contraditório, e absolutamente indefinido. Ele vive tanto, que a única coisa desejada é morrer para nunca mais ter que sentir a vida tremendo em sua carne fria e infinitamente desejada de maneira putrefata. E ele realmente viverá, já que ao sentir a dor mais forte que sua memória jamais recordará, ao sentir a alegria ínfima, sentirá o prazer na sua forma mais bruta e mais pura. E aí sim, ele alcançará a transcedência de, talvez, uma existência inútil que talvez seja o viver.

Por isso, clamo! Sejamos sádicos, desejemos a dor e o sofrimento, pois eles nos farão aprender o que é viver e nos ensinarão a negar o vírus da futilidade e o da falsidade, que tanto empregamos em nossa vida para a sobrevivência. E não quero julgar ninguém, já que este é, sem nenhuma mínima dúvida, o melhor meio já copiado de sobreviver, pois no dia que alcançarmos essas metas, depararemos com a verdade e ninguém conseguirá sustentá-la e todos desejarão deixar de viver de tanto remorso que encontrarão em seu sangue negro e frio, tendo em vista que a carne quente e a alma translúcida tornaram-se obsoletas desde a criação. E por isso, peço por mais, sejamos pelo menos corajosos e sinceros, já que o sangue que temos dentro de nós mesmos, hoje, será o mesmo ao encontrarmos a eternidade embaixo da terra úmida e sem cor que nos espera, então, resta-nos tentarmos purificar nossas consciências que são nossos hospícios privados, nossos antros do desejo, nossa água benta da moléstia e o caminho para a antítese da miséria e tentação que, ao final de tudo isso, concluo que é o que todos os sádicos (leia-se os humanos), na realidade são, almejam.

"Well, this place is old
It feels just like a beat up truck
I turn the engine, but the engine doesn't turn
Well, it smells of cheap wine and cigarettes
This place is always such a mess
Sometimes I think I'd like to watch it burn
I'm so alone, and I feel just like somebody else
Man, I ain't changed, but I know I ain't the same"

* One Headlight - The Wallflowers
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1 Comentário

  1. Viley said,

    Olha Marianna, fazer um comentário partir desse texto está complicado… do meu ponto de vista foi muito bem redigido e a complexidade das ideias está grandiosa.

    A primeira imagem que recordei ao lê-lo foi do longa Constantine, em que boa parte do filme se baseia no anjo Gabriel, tentando levar o inferno até a Terra (com o intuito de proteger o homem de si mesmo), sua explicação seria que a raça humana estava sem escrúpulos, que já havia perdido a boa razão, e extremamente egoísta. Gabriel afirmava que apenas diante do horror supremo a raça humana revelava seus mais puros desejos. (link da parte do filme http://www.youtube.com/watch?v=Oi1r8B5INfU&feature=related).

    Antes de realizar meu comentário, gostaria de deixar minha opinião a respeito de existir/viver:
    Do meu ponto de vista (novamente), existir é algo binário, ou você é ou não é, ou existe, ou não existe. Já viver é algo complicadíssimo de se debater, pois temos infinitas interpretações, justifico essa afirmação com as respostas que obtemos apenas perguntando “o que é viver para você” dentro de nosso círculo social, teremos das mais diversificadas opiniões, agora imagine o que todos no mundo pensam? Viver seria algo que a pessoa determina pra si, seja forçada a acreditar naquilo por imposição de algo (mídia, amigos, parentes), seja depois de anos de reflexão sobre seu próprio eu.

    De certa forma eu concordo que os depressivos “vivem” mais, qualquer resquício ou fagulha de alegria/felicidade será apreciada demasiadamente, com incrível intensidade, uma vez que lhes foi “apresentado” apenas o lado mais árduo da vida.
    Do outro lado da moeda, como podemos esperar que um homem que apenas conhece a vitória e o sucesso sinta a alegria da vida diante da simplicidade de uma boa ação, de uma flor, etc. Imagine um empresário atual ocupadíssimo, que mau tenha tempo para si mesmo, como desfrutará destas pequenas maravilhas que a vida em si nos proporciona?

    Como já mencionado, esse tema é complicado de ser abordado, porém espero ter deixado minha ideia um pouco esclarecida, e que ajude no conceito de várias outras pessoas, assim como aperfeiçôo os meus com as ideias alheias.

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