A mulher de trinta anos

27/10/2010 at 22:41 (Não categorizado)

“A grande, a verdadeira dor seria pois um mal suficientemente mortífero para atingir a um tempo, o passado, o presente e o futuro, não deixar íntegra nenhuma parte da vida, desnaturar em definitivo o pensamento, gravar-se de modo indelével nos lábios e na fronte, afrouxar ou extinguir os impulsos do prazer, introduzindo na alma um princípio de aversão por todas as coisas deste mundo. Ainda mais: para ser imenso, para assim pesar sobre a alma e sobre o corpo, esse mal deveria chegar num momento da vida em que todas as forças espirituais e corporais são ainda jovens e fulminar um coração em pleno vigor. O mal produz então uma imensa ferida; grande é o sofrimento, e ninguém poderá triunfar dessa doença sem alguma transformação poética: ou envereda pelo caminho do céu ou, se permanece aqui embaixo, volta à sociedade para mentir-lhe, para representar um papel, e desde logo fica conhecendo os bastidores aonde a gente se retira para meditar, chorar e gracejar. Depois dessa crise solene não restam mais mistérios na vida social, que desde então está irrevogavelmente julgada.”

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: