A mulher de trinta anos

27/10/2010 at 22:41 (Não categorizado)

“A grande, a verdadeira dor seria pois um mal suficientemente mortífero para atingir a um tempo, o passado, o presente e o futuro, não deixar íntegra nenhuma parte da vida, desnaturar em definitivo o pensamento, gravar-se de modo indelével nos lábios e na fronte, afrouxar ou extinguir os impulsos do prazer, introduzindo na alma um princípio de aversão por todas as coisas deste mundo. Ainda mais: para ser imenso, para assim pesar sobre a alma e sobre o corpo, esse mal deveria chegar num momento da vida em que todas as forças espirituais e corporais são ainda jovens e fulminar um coração em pleno vigor. O mal produz então uma imensa ferida; grande é o sofrimento, e ninguém poderá triunfar dessa doença sem alguma transformação poética: ou envereda pelo caminho do céu ou, se permanece aqui embaixo, volta à sociedade para mentir-lhe, para representar um papel, e desde logo fica conhecendo os bastidores aonde a gente se retira para meditar, chorar e gracejar. Depois dessa crise solene não restam mais mistérios na vida social, que desde então está irrevogavelmente julgada.”

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Piratas do meu Brasil

20/10/2010 at 22:05 (Não categorizado)

Bom, pensem comigo…
Chego numa locadora pra locar, por exemplo, um filme que acabou de ser lançado, quanto eu pago? R$7,50… e para devolver quando? No dia seguinte… É… eu acho que a inflação tá pegando pesado com a indústria cinematográfica…

Aí vou ao famoso “camelô” e vejam só… posso comprar filmes com qualidade de DVD, que ainda nem sequer foram lançados nas famosas expl… ops… locadoras, por apenas R$5,00. Posso assistir quando eu quiser, posso emprestar pra quem eu quiser, posso colecionar DVD’s, entre outras várias opções que se pode pensar em relação a um CD…

Querem combater pirataria? Onde?

Fala sério!!! Pirataria é um ato de protesto! Protesto contra a exploração e os preços exorbitantes que somos obrigados a pagar para sermos politicamente corretos e alimentar todas essas indústrias imorais!


"When I am king, you will be first against the wall
and your opinion which is of no consequence at all
What's that...? (I may be paranoid, but no android)"

* Paranoid android - Radiohead 

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Ainda falando de política…

19/10/2010 at 20:02 (Não categorizado)

Publico no blog este bel0 e-mail de uma mãe brasileira que realizou uma análise belíssima do governo PT dos últimos 8 anos.

 

Uma mãe mandou para a filha, um e-mail sobre o passado negro da Dilma.

A filha repassou o email para seus amigos, que por sua vez o repassaram para amigos. Aí uma mãe petista, tomou conhecimento dele e se achou no direito de dar uma lição de moral na outra mãe.

Veja a resposta da mãe à petista.

Da Lígia (a petista) para a mãe:

“Mamãe que feio!!!!…ensinando a sua filhinha a acreditar nos absurdos que escrevem na internet? Acho melhor incentivá-la a estudar a história do Brasil e deixar que ela mesma tire as suas próprias conclusões, afinal quem estudar a história do Brasil, entenderá  que nunca o nosso país esteve tão bem como hoje, tão forte na economia mundial, tão evidente, tão em crescimento e desenvolvimento quanto esteve nesses 8 anos de governo Lula!!!! E agora o que acontece? Acontece que a oposição está desesperada, porque está vendo o quanto o POVO está satisfeito (governo Lula tem 88% de aprovação da população, aprovação que nenhum governo nunca tinha tido antes na história e aí vem me dizer que é porque o povo é ignorante? Não não meus queridos, o povo está satisfeito porque nunca teve tanta oportunidade, nunca teve tanta comida na mesa , nunca teve tanto emprego, isso sim) o quanto o Brasil cresceu e aí  a única alternativa que resta é APELAR…. Apelar para a ignorância, para a mentira e para a ingenuidade de pessoas inocentes e que acreditam em todos os absurdos que circulam por aí…….então fica a minha dica: pesquisem!!!! Vejam o que realmente é verdade!!!

Ligia Rodrigues”

Ao que a mãe respondeu:

“Cara Ligia:

Da educação da minha filha cuido eu e decididamente não preciso da sua ajuda, embora agradeça seu interesse. Se você imagina que eu seja alguma semialfabetizada, desconhecedora da história e que me socorra apenas da Internet, para compor a minha (in)formação, como lamentável e invariavelmente procede a maciça maioria dos jovens da sua geração, saiba que sou do tempo em que se liam livros e se redigia em bom português.

Tenho 58 anos, sou mestre e doutora em Direito Ambiental pela PUC – São Paulo, professora universitária e brasileira que lê. Porque leio, tenho a nítida compreensão do embuste que representam os tais 80% de popularidade disto que você chama de presidente e que eu prefiro chamar de populista barato, parte de uma corja que tomou de assalto este país, no maior estelionato eleitoral já visto na história brasileira. Estelionato, porque esta malta petista se elegeu sob as vestes imaculadas da correção, da ética e da transparência na política. Vendeu produto podre, cara Lígia. E você, consumidora desavisada, está comprando. Todos que fomos formados nas hostes da esquerda brasileira, das décadas de 60 e 70; os que lutaram contra a ditadura (você seguramente não viveu o período sinistro da ditadura), dando a cara para a polícia militar bater, não raro, comprometendo vidas profissionais em razão de envolvimentos políticos; em nome da restauração da democracia neste país, sentem-se ludibriados, enganados e feitos de palhaços pelo PT de hoje. Eu, que já fui eleitora de José Dirceu, sou obrigada a assistir cenas explícitas de sua “competente” coordenação na montagem do mensalão, um deslavado programa de compra de apoio de parlamentares, cuja tarefa, em contrapartida ao dinheiro (seu e meu) que receberam mensalmente do PT, era invariavelmente votar a favor DE TUDO que se lhes fosse requisitado.

Saiba que aí começam os 80% da “popularidade” do seu presidente. E Lula, que sempre dormiu dentro do pijama de José Dirceu, nunca soube de nada… Eleitora de José Genoíno que também já fui, igualmente, sou também obrigada a assistir cenas explícitas de suas atividades como gerente do mensalão, como chefe dessa organização criminosa que se instalou no poder, sob a batuta beneplácita e complacente de Lula, PARA QUEM TUDO SE PASSA, COMO SE NADA SE PASSASSE (até porque ele já resolveu a situação econômica até da quinta geração de seus descendentes através da fortuna amealhada por seu filho, um ex-vigia de um zoológico no interior de São Paulo e hoje trilhardário – dificilmente em razão de seu trabalho e sua competência…). Dólares na cueca, Waldomiros… a lista é infindável.

Mas, o mais monumental e ousado estelionato perpetrado contra a população deste país pela malta petista, está no “golpe de mestre” engendrado para viabilizar a reeleição de Lula: tomar dinheiro público, do erário, portanto, seu e meu, e distribuí-lo aos borbotões para a sofrida população carente do Norte e Nordeste, literalmente comprando o voto desses coitados (cada bolsa-alguma-coisa rende, por baixo, 6 votos, que é o tamanho de uma família média do Norte e Nordeste).

Então, faça as contas e veja de onde vem a popularidade de seu presidente: maciçamente oriunda da adesão incondicional desses coitados, que não têm a menor idéia e nem sabem do que há embutido no dinheiro que recebem. Se eu fosse eles, tampouco quereria saber. Como não sou, sei: o PT copiou o projeto original de redistribuição de renda, concebido e operacionalizado inicialmente em Brasília, mudou o nome do programa como se cria sua fosse e, em mais um de seus estelionatos, assumiu a paternidade do programa, sem nunca ter tido a decência de dar CRÉDITO AO GOVERNO ANTERIOR QUE O CONCEBEU E O IMPLANTOU.

Com a abissal diferença, porém. O projeto original era vinculado a contrapartidas, como pré-requisito para a concessão da bolsa. Isto se chama investimento público e não aleluia com dinheiro público, distribuído obedecendo ao único e exclusivo critério de que cada bolsa-alguma-coisa, rende, como rendeu na reeleição de Lula, no mínimo, 6 votos.

Então, Lígia, saiba que a popularidade desse presidente que lhe representa (a você, porque a mim não representa) tem o MESMÍSSIMO LASTRO, ORIGEM, NATUREZA, PERFIL E FORMATAÇÃO DO APOIO INCONDICIONAL que Lula recebeu dos parlamentares da Câmara Federal, durante o mensalão. E o dinheiro usado nessa mera transação comercial, aferível através de matemática simples, é seu, viu?

Lula passou sua vida fazendo bravatas, como ele próprio admitiu. Como parlamentar, teve atuação pífia. Nunca se ouviu falar de um projeto de lei de sua autoria. Claro, pouco afeito à leitura, como ele próprio afirma, dele não se esperaria nada diferente. Como presidente, sem a menor afinidade com a rotina e a disciplina inerentes ao expediente, gastou seu tempo – à guisa de entabular “negócios” com outros países – literalmente rodando mundo, fazendo propaganda de si próprio,  como o “coitado” (!) que deu duro e venceu. Saiba que europeu e americano amam o “exotismo” dos países periféricos (candomblé, mulher pelada no carnaval, favela, etc.). Digo isto porque morei um ano nos E.U. em intercâmbio, quando jovem; estudei Direito Internacional Público na Universidade de Edimburgo na  Escócia, durante minha época de graduação em Direito e lecionei, por 7 verões consecutivos, Direito Ambiental Brasileiro na graduação e no Mestrado da Universidade de Louvain, na Bélgica. Portanto, manjo bem o espírito com que europeus e americanos vêem o Brasil e a figura “exótica” de seu presidente. Pergunte se eles elegem populistas e políticos que mal sabem ler e escrever… Seu presidente, semialfabetizado que é – e isto é uma vergonha sim senhora! – para uma criatura que se dispôs a representar os brasileiros. Não obstante, ele carrega sua falta de estudo como um troféu. Nós merecíamos, no mínimo, que ele tivesse se dado ao trabalho de dominar as regras básicas da língua portuguesa, porque teve sim chance, teve sim, tempo, e teve sim, condições de estudar, se tivesse aptidão que não tem, para a disciplina inerente a qualquer atividade de aprendizado.

Marina, por exemplo, alfabetizou-se aos 16 anos. Teve vida incomensuravelmente mais sofrida do que a de Lula e não envergonhou a ninguém como parlamentar e ministra que foi, e jamais vociferou discursos na base do “menas gente” e “entendo de que…”.

Palanqueiro, demagogo, populista admirador das pataquadas de Chaves, de Ahmadinejad e caterva, seu presidente semialfabetizado confunde “prisioneiro político” com “prisioneiro comum”, como o fez para a imprensa internacional, no episódio de Cuba (você se lembra, do prisioneiro político cubano que morreu em greve de fome exatamente no dia em que Lula chegou a Cuba, episódio sobre o qual seu presidente, no melhor estilo Odorico Paraguaçu, declarou: “se a moda pega, as cadeias brasileiras ficariam vazias!!!!?). Sem comentários.

Enquanto o mundo se empenha  para banir a ameaça nuclear, seu presidente cruza o planeta  com sua troupe, às custas de dinheiro público, para passar a mão na cabeça de um ditador sanguinário (vide dados recentes acerca das eleições e repressão à oposição no Irã) e negociar, sem ter mandato da comunidade internacional para isto,  exatamente no papel de “bobo da corte” (foi assim que a comunidade internacional interpretou sua atuação no episódio) em torno do enriquecimento do urânio no Irã. No dia seguinte ao tal “acordo”, que Lula festejou para a imprensa internacional como um feito monumental, o ditador do Irã confirma para essa mesma imprensa, que “vai continuar enriquecendo urânio sim!!! como se Lula sequer lá tivesse estado. Bem feito!

É isto que acontece quando se tem para conselheiro em política internacional “especialista” do calibre de um Marco Aurélio “top top” Garcia (lembra-se da comemoração furtivamente filmada no interior do Palácio do Planalto, assim que o Jornal da Globo noticiou que o acidente da TAM se dera em razão de falha humana e não em razão das condições da pista de Congonhas?). Melhor teria sido até que as famílias das vítimas não tivessem testemunhado essa cena no Palácio, por parte de um assessor tão próximo do presidente). Escárnio, em nome de ganho político a qualquer preço. Esta é a política do PT atual, eleito com as vestais imaculadas da correção e da ética que vendeu e você comprou.

Não satisfeito, obtuso por desconhecimento da história, seu presidente se arvora de “vírus da paz”, no conflito do Oriente Médio que é BÍBLICO (sabe o que significa isto?). O mundo e a ONU se empenham HÁ DÉCADAS tentando compor este conflito de interesses que já produziu um número incalculável de mortes. Lula achou que ele era o cara! É ter-se em alta conta demais, para quem seguramente sequer se debruçou sobre um manual de história geral do segundo grau. Diz o ditado: dá-se mala para andante, já pensa que é viajante… Alguém precisa dizer-lhe, “se manca Lula!!!

Seu presidente têm muitas qualidades, Lígia, mas levar a sério a expressão do Obama “that´s the guy” (que, SEM A MENOR DÚVIDA, foi proferida em razão das graças e piadas que são a forma através da qual Lula se afirma  nesses reuniões políticas, nas quais depende inteiramente de alguém para traduzir o que se passa…), é muita pretensão. Não acho que presidente brasileiro tenha por obrigação falar inglês, não. Mas, convenhamos, é uma vergonha um sujeito que sempre quis ser presidente, não ter se dado ao trabalho de estudar uma língua estrangeira, em deferência aos brasileiros, para bem representar seu país. Mas não, dá-lhe pinga, piada e futebol. É assim a metáfora que fazem, de nós brasileiros, no exterior. A mim, me ofende como cidadã e me envergonha como brasileira. Ah… mas ele é super popular no exterior! É a admiração de que não precisamos. Americanos e europeus gostariam, tenha certeza, ainda muito mais, se nosso presidente fosse o Raoni (com todo o respeito e reverência que devemos aos sobreviventes das nossas comunidades indígenas, estes sim, vítimas de uma política indigenista de extermínio perpetrada por nós brancos, ao longo de todos os governos anteriores, inclusive por este, do PT).

Eleito pela primeira vez porque significava a mudança e a ética, fez um primeiro mandato durante o qual NÃO TEVE CULHÕES para implementar nada do que apregoou durante a campanha. Literalmente DEU CONTINUIDADE às iniciativas do governo Fernando Henrique, pelando-se de medo da inflação voltar e não ter a envergadura que teve Fernando Henrique, como estadista que foi, de aniquilar uma inflação que já estava no DNA dos brasileiros, de tão endêmica e embutida na psiquê do brasileiro.

Descobriu, depois da posse, que os rumos do governo não poderiam nem deveriam ser diferentes daqueles adotados no governo anterior. Mas achou forma de “faturar” em cima do mérito alheio. Até os índices positivos de safras de grãos recordes, obviamente fruto de políticas agrícolas do período anterior, foram colhidos e computados pela máquina  publicitária do governo petista como se fossem  fruto do governo que mal iniciara…

Saiba que o quê a máquina de propaganda deste governo apelidou de “herança maldita”, foram os acertos dos governos anteriores que caíram no colo de Lula, ou alguém tem a ilusão de que a implantação de políticas, de infra-estrutura etc., …  rendem respostas no dia seguinte em que são implantadas?

A crise internacional, que se festeja não ter chegado no Brasil, realmente não faz grandes marolas em um país que tem uma monumental parte da sua economia no plano informal, longe dos números oficiais. Este país anda, Lígia, com Lula, sem Lula ou com cover de Lula. Não é ele o artífice de nenhuma proeza política. É, sim, o artífice de uma monumental máquina de propaganda governamental, isto sim, “sem precedentes na história deste país”. Aliás, nem acredito que o mérito seja dele, porque ele é apenas a marionete à frente da cortina nesse teatro, por ser palanqueiro e empolgar a massa como Goebels fez na Alemanha nazista, e menos votados como Jânio Quadros e Collor fizeram no Brasil.  Deu no que deu. Se você conhece história.

Na era da televisão, usando dinheiro público na manutenção do circo, vende o produto Lula deslavadamente na embalagem que quer (vide esse programa virtual, que é mera versão e não fato, chamada PAC) para uma população infelizmente consumidora de novelas na telinha. A maciça maioria da nossa população não lê jornais. Ou você acha que é mera coincidência que ele não se elegeu nos estados do Sul e Sudeste, onde os índices de analfabetismo são muito menos drásticos? Lula é produto da desinformação e do analfabetismo de um lado e, de outro, do oportunismo de segmentos que viram no governo Lula a chance de se candidatar a uma das tetas dentre as inumeráveis (vide o número de ministérios que criou, para manter com o seu dinheiro) para, na base do clientelismo, perpetuar-se nas benesses do poder e usufruir das mamatas  que sobejamente conhecemos. A próxima mamata para os petistas é a nova estatal criada para cuidar do pré-sal. Aguarde para ver o número de cabides de emprego para acomodar petistas que serão criados. Ah… sempre foi assim? Ah… bom, pensei que o PT durante 20 anos pregando o contrário, fosse o partido da ética e de políticos honestos, porque foi isto que venderam a mim e à  população brasileira…

Era bravata?  Ah… bom. Então tá.

Em tempo: assine um jornal. Se há alguém mal informado aqui, talvez não seja exatamente a minha pessoa.

Maria Luisa Faro”

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Vermelho como camarão

05/10/2010 at 15:15 (Não categorizado)

Impossível conversar com eles, por rápido que fosse, sem também acabar se sentindo maluco. O motivo da maioria se dedicar a essa profissão é porque vive preocupado com a própria sanidade mental. E examinar a cuca da gente é a pior coisa que um louco pode fazer, todas as teorias em contrário não passando de papo furado. De vez em quando um biruta se saía com perguntas desta ordem:

– Ei, cadê o Dr. Malov? Não vi ele hoje. Entrou em férias? Ou foi transferido para outra clínica?
– Entrou em férias – respondia outro doido -, e foi transferido para outra clínica.
– Não entendi.
– Facão de açougueiro. Nos pulsos e na goela. Não deixou explicação.
– Era um sujeito tão bacana.
– Ah, pois é, porra.
(…)
Andava com mania de suicídio e com crises de depressão aguda; não suportava ajuntamentos perto de mim e, acima de tudo, não tolerava entrar em fila comprida pra esperar seja lá o que fosse. E é nisto que toda a sociedade está se transformando: em longas filas à espera de alguma coisa. Tentei me matar com gás e não consegui. Mas tinha outro problema. Levantar da cama. Sempre tive ódio disso. Vivia afirmando: “As duas maiores invenções da humanidade foram a cama e a bomba atômica; não saindo da primeira, a gente se salva, e, soltando a segunda, se acaba com tudo”. Acharam que estava louco. Brincadeira de criança, é só disso que essa gente entende: brincadeira de criança – passam da placenta pro túmulo sem nem se abalar com este horror que é a vida.
Sim, eu odiava ter que me levantar da cama de manhã. Significava que a vida ia recomeçar e depois que se passa a noite inteira dormindo cria-se uma espécie de intimidade especial que fica muito difícil de abrir mão. Sempre fui solitário. Você vai me desculpar, creio que não regulo bem da cabeça, mas a verdade é que, se não fosse por uma que outra trepadinha legal, não me faria a mínima diferença se todas as pessoas do mundo morressem. É, sei que isso não é uma atitude simpática. Mas ficaria todo refestelado aqui dentro do meu caracol. Afinal de contas, foram essas pessoas que me tornaram infeliz.

Trecho do conto Vermelho como camarão do livro Fabulário Geral do Delírio Cotidiano – Ereções, Ejaculações e Exibicionismos – Parte II de Charles Bukowski (último livro que li).


"So you think you can stop me and spit in my eye.
So you think you can love me and leave me to die.
Oh, baby, can't do this to me, baby,
Just gotta get out, just gotta get right outta here.
Nothing really matters, anyone can see,
Nothing really matters,
Nothing really matters to me.

Any way the wind blows."

* Bohemian Rapsody - Queen

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Minha despedida

04/10/2010 at 0:53 (Não categorizado)

Resolvi postar hoje minha carta de despedida de Brusque que já foi lida por inúmeras pessoas, porém resolvi divulgá-la mais uma vez hoje, pensando no sufrágio de hoje, a chegada do segundo turno e a decisão que terei que tomar. Trabalhei 8-9 meses em um governo PT e vi qual é a “ideologia” e o “modo de fazer política” que o partido assume. POLITIQUEIROS! Nem sempre o que queremos será necessariamente o que é melhor para nós mesmos. Porém o PT não pensa no que é melhor e sim no que rende mais votos…

Deixo meu trabalho por inúmeros motivos, que prentendo enumerá-los aqui, de maneira mais sumarizada o possível.

Quando comecei a trabalhar em Brusque, estava decidida a fazer medicina da família e trabalhar com Estratégia de Saúde da Família. Durante minha formação na Universidade Federal o carro-chefe sempre foi saúde pública e coletiva, apesar de ser um campo abandonado, subestimado e maltratado quer seja na medicina ou na política. E principalmente tive uma formação predominantemente voltada para o Sistema Único de Saúde. Sempre admirei esse sistema, apesar de inoperante, como costumava dizer um professor meu. Estudei e fiz minha lição de casa direitinho e aprendi e apreendi como esse sistema beirava à perfeição, porém sempre permanecia ignorado pela sociedade brasileira, seja pela elite ou sejam pelos miseráveis, todos meus aculturados compatriotas.

Assumi a Unidade de Saúde da Limeira sem sequer imaginar a magnitude do problema que eu estava resolvendo assumir e aprendi MUITAS lições. Permaneci de agosto a fevereiro na unidade, neste tempo conquistei alguns pacientes, alguns amigos, alguns admiradores e alguns desafetos e desaforos. Durante meu tempo de serviço, eu e a equipe com quem trabalhava atualizamos todo o cadastro de Hiperdia (hipertensos e diabéticos), implantei um controle de psicotrópicos, produzi diversos materiais educativos, realizamos atividades com a escola e a creche que compartilhavam o terreno municipal conosco, fizemos diversos pré-natais, iniciamos com puericultura no bairro (coisa que nunca havia existido antes), realizei diversos procedimentos cirúrgicos e implantamos a agenda médica (coisa que não existia antes, já que o que havia era uma fila de pessoas gladiando-se por uma vaga médica a partir das 4h da madrugada). E claro, como boa aluna, sempre baseando-me nos princípios e diretrizes do SUS: sempre em serviço da universalidade, eqüidade, integralidade, comunidade, descentralização, hierarquização e regionalização… e principalmente inter e multidisciplinaridade. Ainda considerando e complexando proporcionalmente a falta de dinheiro, de recursos humanos, de subsídios, de infra-estrutura e de cultura em que a saúde brasileira precisa sobreviver para não ir à falência. Sempre procurei economizar, seguindo sempre que possível diretrizes e recomendações como da Organização Mundial da Saúde ou do Ministério da Saúde Brasileiro. Obviamente muitas vezes não fui educada, atenta ou empática com meus pacientes, mas sei que estas foram poucas vezes, afinal sou um ser humano com nervos, sentidos e neurotransmissores. Todavia sempre procurei realizar minhas atividades com afinco, dedicação, sensibilidade e capricho. Cumpri meus horários sempre com lealdade e sempre tentei ser companheira de minha equipe.

No entanto, tirei 1 mês de férias (merecidas) e ao voltar soube que não me queriam mais na minha comunidade que tanto tentei zelar… logo lá havia outro médico. E para falar bem a verdade, acho que, provavelmente, nenhum paciente sentiu falta de mim, por mais triste que isso possa parecer. O outro também é médico.

Durante os meses que prestei meu serviço consegui perceber que mulher sofre e mulher jovem sofre mais ainda. Olham-te com desconfiança como se foste uma incapaz. Ou como se foste inseguro e duvidável. Recém-formado também, não deve saber coisa alguma. Imaginei que seria admirada por ser jovem e mulher e por em tão pouco tempo haver subjugado um diploma tão almejado por tantos. Mas padeci do fardo deste título.

Suei muito, ouvi muitos desaforos, sofri muita reprovação. Mas não larguei minha posição, porque em nenhum momento deixei de cumprir meu dever. Sempre fui honesta e fiel aos meus princípios de ética e de minha sensibilidade para com meu próximo. Ao meu ver, Estratégia de Saúde da Família existe para PROMOVER SAÚDE.

Mas aos poucos percebi que a população não queria saúde e o governo local também não tinha muito interesse em realizar esta promoção, essa mudança de paradigmas que ainda existe em Brusque. Lidei com transcrição de receitas, de exames e de idéias. O SUS serve somente como oba-oba. Vou lá tentar usurpar um pouco do governo e pegar algumas “coisinhas” de graça. E esquecem que nada disso é de graça. Nada disso é vantagem. Ainda paradigma de ressonâncias magnéticas, paradigma de check-ups completos, sem me importar se converso com o médico. Pra que ele serve mesmo? Ah, lembrei! Para carimbar minha receita de rivotril e minha requisição de exame de colesterol e de hemograma, mesmo que eu não saiba pra que eles servem, mas eu preciso fazer, pois isso que importa e isso que vai me dizer se estou bem ou não. Em muitas oportunidades, não fui médica… fui burocrata, assinei papéis, preenchi protocolos, condisse com processos de medicações muitas vezes incabíveis e com processos prescindíveis. Médico de serviço público que não serve para nada, não sabe nada e está ali porque não arranjou nada melhor para fazer. Afinal eu não sou candidata a prefeita, não sou médica especialista que digo que sou especialista em muitas outras coisas diversas, não tenho uma clínica bonita e nem minha consulta custa caro. Aliás, meus 6 anos de estudo e meus 20 min de “consulta” custam menos que R$5,00. Nada mais justo…

E apesar de ainda tudo isso, escuto só ordens… ordens e mais ordens. Mandado de quero 3 dias de atestado, encaminhamento para o cardiologista, exames porque quero fazer. Eu sempre achei que tinha estudado e conquistado um diploma para dizer quantos dias uma pessoa deve repousar em casa, se eu acho que não consigo dar conta do recado e preciso de auxílio de colega, saber exatamente quais exames uma pessoa deve fazer e se é que tem que fazer algum exame. Achei que o médico por si só cabia. Afinal, até para ler colesteróis, é preciso interpretação e PRINCIPALMENTE o que fazer com isso tudo. Mas as pessoas, meus suspostos pacientes, não querem conversar comigo, não querem nem me dizer bom-dia, querem só pegar seus papéis carimbados e cair fora. Mesmo que pareça inacreditável, nestes 8 meses de serviço público, poucos agradecimentos ouvi. Sim, meus pacientes não me diziam obrigado, nem sequer se despediam de mim. E eu sempre ouvi dizer que os médicos do sistema público atendiam em menos de 3 minutos, nem olhavam na cara dos pacientes e nem queriam saber de nada, só precisavam assinar suas folhas-pontos e irem embora para seus consultórios com ar condicionado e secretária para fazer suas burocracias.

E se não fosse por isso tudo, o quanto ouvi, o quanto sofri e o quanto chorei por somente tentar educar, por ter estudado e por ter me dedicado para ter noção do que é provavelmente o mais apropriado em saúde, tive ainda que ver que não era isso que meus empregadores queriam de mim. Enquanto eu padecia para ensinar, educar, formar um vínculo, insistir em fazer o certo… apesar de que nem sempre o que seja o melhor para o paciente, seja o que ele queira, embasando-me na medicina de família e comunidade que consegui aprender e compreender em 6 anos de dedicação, ainda havia os meus próprios superiores que não me apoiavam no que eu julgava ser honesto, ético e apropriado.

Queriam números, sorrisos e votos. Quantas ligações recebi para saber porque não havia transcrito receitas, exames, encaminhamentos. Ou por que falei palavras verdadeiras para alguns pacientes. E até mesmo ligações porque fui ética e porque fiz o que achava mais adequado fazer com meus pacientes baseando-me em medicina. A razão sempre é do usuário. Todos temos direitos de nos expressarmos quando descontentes, porém todos devem ser ouvidos e analisados. Voltaire disse uma vez sobre poder não concordar com vossas opiniões, mas sempre defender o direito de lhes expressar-lhes. Todavia, aparentemente, quem tinha razão costumava ser o usuário e principalmente o que grita e espernea mais.

A corrupção começa por baixo, talvez por exemplos embutidos nas mentes de nossa cultura desonesta. Quantos encaminhamentos ou cirurgias vi serem marcados na frente de outros de forma misteriosa pelos fato desses usuários terem ido à prefeitura incomodar, ou terem conversado e “ajeitado” com sicrano ou fulano. Ou quantos funcionários vi não cumprirem horário e a prefeitura fingir que não havia visto?

Até ouvi desaforo de um rapaz de 17 anos machucado por acidente de moto em que ele estava dirigindo, ou seja, infringindo a lei, e ouvi obscenidades por não fornecer um pedido de raio-X para o mesmo até que ele fosse pessoalmente na unidade me dizer o que queria. O que aconteceu? Ao questionar a prefeitura, a própria secretária de saúde esteve na residência do mesmo, concedendo esse privilégio para o infrator fora-da-lei e doou a tal requisição. Passou por cima da minha conduta, passou por cima da ética entre colegas profissionais, passou por cima da MORALIDADE de conceder habilmente direitos que ele NÃO tinha.

Ou ainda o que vi há 2 semanas? O médico prescreve codeína, analgésico opióide de receita controlada, e a farmácia da prefeitura fornece paroxetina por 2 meses, não sei por qual motivo, sem identificação do fornecedor. Obviamente a paciente veio me perguntar por que o médico havia dito que prescreveria remédio e ela estava tomando anti-depressivo!

Vi acidente pérfuro-cortante de profissional da saúde com fonte conhecida em que a Vigilância Sanitária, departamento da Secretaria de Saúde , informar à colega que não havia nada a ser feito. Qual é o cuidado que há conosco, colaboradores da prefeitura? Que protocolo é esse da prefeitura de Brusque em que não existe regra para nada, que não segue recomendações do SUS, do Ministério da Saúde? Sempre imaginei que meu serviço, ou seja, o ESF tinha sido implementado justamente por este último.

Na verdade, os profissionais de saúde com quem eu trabalhava não conheciam saúde coletiva, saúde pública, estratégia de saúde da família, atenção primária, promoção de saúde. E não conheciam por falta de interesse. É ainda algo novo. Velho para alguns, novidade para outros. Porém acredito que falte da prefeitura realizar este compartilhamento de informação, de cultura, de vontade de crescer e todos poderem trabalhar juntos em prol dos mesmos destinos.

Quero trabalhar em um local em que haja saúde, em que haja honestidade, em que haja reconhecimento, em que haja apoio, em que haja respaldo, em que haja segurança, em que haja colegas comprometidos e no mesmo time. E que eu possa respirar aliviada e satisfeita por ser honesta e cumprir meus deveres. Mas em Brusque, os usuários acreditam que têm muitos mais direitos que deveres e a prefeitura muitos mais eleitores que seres humanos que necessitam e pagam caro por saúde e dignidade.

Por favor, encarem todos esses desabafos como uma crítica construtiva de alguém que quer ver todas as partes envolvidas – governo, usuários e profissionais e colaboradores – crescerem juntas e em sintonia. Pois ainda há MUITO o que fazer para crescer e melhorar.

Esta “carta” foi enviada à prefeitura de Brusque, à secretária de saúde da cidade e aos demais encarregados na Secretaria de Saúde e, por incrível que pareça, não obtive NENHUMA resposta em relação a todas minhas queixas, sugestões, denúncias que manifestei.

Meu nome é Marianna Lago, CREMESC 15.538, formada na Universidade Federal de Santa Catarina em julho de 2009.

A prefeitura para a qual eu trabalhava era do Partido dos Trabalhadores (PT), o prefeito da cidade chama-se Paulo Eccel e sua secretária de Saúde Cida Belli.

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Ler é tão chato, né?

01/10/2010 at 8:03 (Não categorizado)

Já que o único assunto do qual consigo falar ultimamente é política, deixo aqui expressa o que penso sobre as eleições atuais. Extraí esses comentários de um e-mail que enviei a uma amiga, onde estávamos discutindo a respeito das eleições atuais.

Todos são da mesma corja, é só terem o poder na mão que a história se repete SEMPRE da mesma maneira.

Não sou a favor de político algum. Detesto politicagem. E o PT é o campeão nisso… eu trabalhei 8 meses numa gestão petista, onde nunca se preocuparam com o bem da população, ou com a educação da população, o que queriam era dar tudo de mãos beijadas e da maneira mais fácil, pois isso arrecada mais votos. Uma gestão totalmente paternalista. A única coisa que eles se preocupam é VOTO. Tanto é que o Senhor Collor, Senhor Sarney, entre muitos outros já têm seus carguinhos assegurados no governo PT (afinal, ela vai ganhar no primeiro turno). E o que eu acho tão gozado é que esses tais petistas fervorosos ignoram esse fato. Dizem-se tão libertários, tão a favor da classe miserável, mas acham ótimos esses coronéis que perpetuam essa corrente de miséria, de escravidão e de terror estarem no poder. Ainda têm a cara de pau de vir pra SC e falar de oligarquias (tudo bem, eu também odeio os Borhnausen).

O discurso deles NÃO VALE NADA! São palavras vazias…

Claro, o governo Lula agrada a todos. Agrada os pobres, pq agora muitos têm o que comer e não condeno isso (mas não acho que isso seja a melhor forma de governar, isso é assistencialista, é populista, porém talvez seja a única opção agora para resolver a miséria), mas ele – Lula – anuncia isso como se fosse uma proposta social ideal, maravilhosa, linda… tanto que ele é o mais cotado pra ser chefe-geral da ONU. Um homem que não tem nem primário completo.

E antes que qualquer um fale que eu sempre fico falando coisas sem embasamento (leia o livro que li: O Príncipe e o Sapo), fala sobre a trajetória contemporânea política do País. Lá eu soube como o Lula foi parar na política POR ACASO, como ele NUNCA teve interesse em estudar. Esses dias ele não estava dizendo que ler é chato? Bom, é esse aí que segundo alguns me alegaram que estará dando palestras por milhões e chefiando a ONU. Acho extremamente lamentável um ser IGNÓBIL como esse ser tão louvado por ser um ignorante, só pq conseguiu chegar ao poder (sem querer tirar os méritos dele, ele pode não ter estudo, mas é inteligente). Porém nunca manifestou interesse em estudar. E além das bolsas, ele agrada os grandes empresários, né… afinal a economia melhorou um monte, o PIB subiu, o risco país diminuiu. Mas às custas do que? Das bolsas-banqueiros que ele também distribuiu amplamente. Mas uma coisa, ele só não continuou o que o FHC fez? Pra mim as suas políticas são TOTALMENTE IGUAIS às do PSDB, só mudou o nomezinho. Mas é uma cópia do governo PSDB.

Aliás, o FHC arrumou a economia e acabou com a inflação às custas de sua popularidade e o governo PT só colheu os frutos do governo FHC e adora alegar que foram eles que arrumaram a economia. Uma mentira. Eles usam o mesmo modelo neoliberal do FHC.

E se for pra segundo turno, eu ainda prefiro o Serra à Dilma. Ela é uma marionete, aliás, muito mal-maquiada. E gorda! E bradipsíquica!

Apesar de toda a história do PT, que eu admiro e muito. O partido se perdeu quando foi conivente com o mensalão, com tropas no Haiti, com seu populismo/assistencialismo/paternalismo… entre outras milhares de coisas que eu, que não acompamnho muito política por não ter tempo, sei.

Não gosto de me dizer burguesa, capitalista ou qualquer outra coisa que seja. Eu nasci com berço. Todavia eu trabalho no serviço público, ganho 800 reais por mês… mas faço isso pq quero ver o mundo melhorar e estou a passos de formiguinha, já tive muitos delírios de conseguir mudar muitas coisas, mas estou tão desiludida com essa politiqueira fodida… que sei lá… sinto vontade de desistir. Acho que talvez seja melhor ser “capitalista”, pelo menos, preservamos nossa sanidade mental. Pq eu realmente fiquei muito doente nos últimos meses tentando mudar as coisas, sem conseguir, pq tenho que esbarrar com esse governo do PMDB aqui de BC que são uns inescrupulosos. E obviamente, aliados do PT.

Capitalistas, burgueses são esses políticos, são os Lulas da vida que dão todo o dinheirinho pros banqueiros e deixam a classe média na merda. Os pobres estão melhorando de nível de vida, estão… mas o País não são só os pobres e, na verdade, não acredito nessa tal distribuilção de renda que eles alegam… pq bolsa família e o diabo a quatro é tudo passageiro… eles continuarão escravos, mas do governo, das bolsas… É a política de dominação.

Minha ideologia é fazer o bem ao próximo, e, principalmente, pros que mais precisam. Seja através do meu trabalho, da minha honestidade, da minha sinceridade, da minha educação e do meu respeito ao próximo.

Infelizmente, ainda hoje, a clase média move esse país.

Eu tento ser neutra, mas em relação à corrupção e bandidagem, não sou! E por isso sou anti-PT mesmo!


“Nas noites de frio é melhor nem nascer
Nas de calor, se escolhe: é matar ou morrer
E assim nos tornamos brasileiros
Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro
Transformam o país inteiro num puteiro
Pois assim se ganha mais dinheiro…”

* O tempo não pára – Cazuza

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Ser ou não ser? Eis a questão!

27/09/2010 at 17:55 (Não categorizado)

O que é viver? Respondendo de uma forma simplória, sutil e talvez esclarecedora, seria sentir-se vivo. Costumo dizer que para você realmente saber que viveu, ao longo de sua vida, você precisa ter experimentado a dor e o prazer intenso. Outro questionamento talvez irrelevante, porém que no momento não me parece, seria o que é existir e o que é viver? São a mesma coisa? Seria inútil de minha parte pensar desta forma, aliás, seria restrito e não pensante.

Para tentar se saber o que é viver, é antes necessário criar um pensamento sobre o que é existir. E para criar um pensamento e agora roubo os pensamentos de Godard, que a propósito, encaixar-se-ão exatamente na idéia que quero lançar, pensar seria pensar em outra coisa. Haja vista que para você pensar em algo, antes é necessário pensar em outra coisa. Como? Para eu traçar um pensamento, e usando o mesmo exemplo de Jean-Luc, analisar uma paisagem nunca vista, é devido ao fato de eu analisei outras paisagens que eu já teria visto e concluí que esta eu nunca enxerguei.

Portanto, existir, de uma forma analítica, não é a mesma coisa que viver. Viver faz parte da existência. Porém, não é porque você existe, que você vive. E não é porque você vive, que você existe. Existir é uma questão muito mais de metafísica que me renderia milhões de pensamentos, os quais não me levariam à criação nenhuma, não obstante, viver é algo que eu já defini, por exemplo, nesse texto.

E ainda lembrando valores como morte, diversão, superficialidade, e prazer, concluí que os indivíduos em depressão são os que mais vivem nesta galáxia desconhecida em que presumimos existir. Eles sofrem de uma dor intensa, realmente masoquista e que ao meu ver, talvez seja sádica. Visto que a pessoa depressiva preza tanto pelo morrer, que ela não está nada mais, nada menos, do que vivendo como ninguém nunca conseguirá experimentar. E é realmente muito contraditório, e absolutamente indefinido. Ele vive tanto, que a única coisa desejada é morrer para nunca mais ter que sentir a vida tremendo em sua carne fria e infinitamente desejada de maneira putrefata. E ele realmente viverá, já que ao sentir a dor mais forte que sua memória jamais recordará, ao sentir a alegria ínfima, sentirá o prazer na sua forma mais bruta e mais pura. E aí sim, ele alcançará a transcedência de, talvez, uma existência inútil que talvez seja o viver.

Por isso, clamo! Sejamos sádicos, desejemos a dor e o sofrimento, pois eles nos farão aprender o que é viver e nos ensinarão a negar o vírus da futilidade e o da falsidade, que tanto empregamos em nossa vida para a sobrevivência. E não quero julgar ninguém, já que este é, sem nenhuma mínima dúvida, o melhor meio já copiado de sobreviver, pois no dia que alcançarmos essas metas, depararemos com a verdade e ninguém conseguirá sustentá-la e todos desejarão deixar de viver de tanto remorso que encontrarão em seu sangue negro e frio, tendo em vista que a carne quente e a alma translúcida tornaram-se obsoletas desde a criação. E por isso, peço por mais, sejamos pelo menos corajosos e sinceros, já que o sangue que temos dentro de nós mesmos, hoje, será o mesmo ao encontrarmos a eternidade embaixo da terra úmida e sem cor que nos espera, então, resta-nos tentarmos purificar nossas consciências que são nossos hospícios privados, nossos antros do desejo, nossa água benta da moléstia e o caminho para a antítese da miséria e tentação que, ao final de tudo isso, concluo que é o que todos os sádicos (leia-se os humanos), na realidade são, almejam.

"Well, this place is old
It feels just like a beat up truck
I turn the engine, but the engine doesn't turn
Well, it smells of cheap wine and cigarettes
This place is always such a mess
Sometimes I think I'd like to watch it burn
I'm so alone, and I feel just like somebody else
Man, I ain't changed, but I know I ain't the same"

* One Headlight - The Wallflowers

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Ê putaria

24/09/2010 at 20:08 (Não categorizado)

Era uma vez Afrodite, a deusa grega da beleza e do sexo. Saiu das espumas do mar de Chipre e deu à luz outro deus grego, Eros, a divindade do amor e da paixão. Conhecem-se estes criadores através de outros nomes na mitologia romana, Vênus e Cupido, respectivamente. Também são reconhecidos pelos termos afrodisíaco, erótico, erógeno, entre outros diversos popularizados pelo senso comum e já pertencentes aos arquétipos coletivos.

O fato é que Afrodite furiosa ao ter conhecimento de uma mortal tão linda como Psiquê, encomendou a seu filho Eros, que a atingisse com uma de suas flechas para que esta se enamorasse por um ser descomunal. No entanto, Eros apaixona-se por Psiquê, talvez acidentalmente atingido por uma de suas setas. Eros casa-se com a linda moça, todavia com o intento que esta nunca mirasse em seu rosto, pois isto significaria o fim do amor deles. Psiquê “a alma” não tendo aguentado a promessa feita, observa-o e encanta-se com tamanha beleza, Eros flagra-a e abandona-a. Sentindo imensas saudades de sua amada, perdoa-a e o Deus do Olimpo transforma-a em imortal, e finalmente, há a sublime junção entre o amor e a alma.

Sexo, sexo e sexo… esse pensamento obsessivo existe há bastante tempo, desde os panteões gregos e romanos, e a partir daí tornou-se a principal preocupação de todos os seres humanos, e até mesmo de deuses. Arrisca-se a dizer que a sociedade é sexocêntrica, tanto que a teoria mais aceita em relação ao aparelho psíquico – “a alma” – dos homens é a psicanalítica, que gira em torno da libido, ou seja, da energia sexual de cada ser. A pulsão de vida é coordenada por essa procura instintiva do prazer, que é encontrada mais facilmente, principalmente pelos homens, através de relações sexuais. Com a liberação feminina, ou melhor, com a liberação moral, as mulheres estão quase se eqüiparando aos homens no que se diz respeito a quem procura mais alcançar essa necessidade sensual.

É visto que os homens, nesse caso, não usando um termo de gênero, e sim de raça, esquecem que o pênis e o clitóris são ordinários receptores sensitivos, e que ao contrário do que todos imaginam, o sexo não é controlado pelo sistema nervoso periférico e sim pela vasta rede formadora do sistema nervoso central. Se alguma conexão integrante do telencéfalo não estiver funcionando corretamente, o sistema periférico não conseguirá realizar as suas funções. O sexo envolve muito mais que estimulações sensoriais e sim uma vasta gama de sentimentos e emoções, e que talvez por isso, os seres humanos estejam sempre tão ocupados em estar procurando por novos parceiros com quem se relacionarem, e nunca se contentam com um único e satisfatório companheiro, pois não se lembram que é preciso compreender e dispor-se de muitos significados auto-psíquicos antes de conseguirem manter uma conexão sexual.

A sociedade e a perpetuação desta podem ser movidas por instintos primitivos, e continuarão a ser. A espécie homem acorda, trabalha, relaciona-se e realiza suas tarefas simplesmente pela estimulação da libido e pela procura do prazer. Os humanos esquecem que possuem um telencéfalo demasiadamente desenvolvido e não o usam, acreditam que suas vidas serão estimuladas pelo instinto, e somente por este, e muitos morrem sem ao menos terem usado a capacidade cerebral que possuem. Dizer que o ser humano é um ser inteligente é um equívoco. O ser humano pode ser uma espécie raciocinativa se conseguir conciliar o que há de padrão inato de comportamento como a busca pelo sexo, a maternidade e a poligamia com o que existe de racional, isto é, a procura pelo que as suas emoções, seus sentimentos, suas intuições e a sua razão pedem.

O que é mais intrigante e somente corrobora toda esta teoria é que este sistema sexual envolve tantas interconexões nervosas, que é impossível e desprezível considerar que o sexo pode ser algo casual e esquecer-se de que é algo extremamente complexo. Um indivíduo ao colocar a mão em um fogão quente, logo a tira e não é preciso relembrá-lo que ele não pode mais colocar a mão ali, pois sentirá dor. Isso é um reflexo medular doloroso. Agora alguém ao apaixonar-se, sente dor e sofrimento e continua colocando-se naquela mesma situação por inúmeras vezes, mesmo que ele tenha sabido, racionalmente, que aquilo só provocará mais sofrimento. Definitivamente, nossas emoções referentes à libido não são nem um pouco simples, e sim repleta de representações emocionais conscientes e inconscientes, e que, claramente e sem hesitações, nenhuma divindade grega, por mais supremo, e até mesmo, perfeito que seja, conseguiria compreender.


"Let's dance little stranger
Show me secret sins
Love can be like bondage
Seduce me once again

Burning like an angel
Who has heaven in reprieve
Burning like the voodoo man
With devils on his sleeve

Won't you dance with me
In my world of fantasy
Won't you dance with me
Ritual fertility"

* Dance with me - Nouvelle Vague


“I’m not saying right is wrong

it’s up to us to make

the best of all the things

that come our way

‘cos everything that’s been has passed

the answer’s in the looking glass

there’s four and twenty million doors

On life’s endless corridor”

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Os Sofrimentos do Jovem Werther

24/09/2010 at 1:36 (Não categorizado)

Já que estou iniciando este novo blog, acho essencial explicar o porquê de seu nome. Para quem não conhece, existe um livro chamado Os Sofrimentos do Jovem Werther, do Goethe, escritor alemão. Gosto muito da obra e ela foi escrita após uma decepção amorosa do autor. A narrativa é fundamentalmente psicológica e relata o suicídio da sua personagem: o jovem Werther. É um dos meus livros favoritos, e acho que muitos dos meus posts também são caracteristicamente instrospectivos, portanto são Os Sofrimentos da Jovem Marianna (prazer, sou eu! ou desprazer, não sei…).

O que é o homem, esse semideus tão louvado? Não lhe faltam as forças justamente no momento em que necessita delas? E quando ele, alçando vôos de alegria, ou abismando-se na tristeza, em um ou no outro caso, não será então limitado, retomando a consciência fria e banal de si mesmo, justamente quando contava perder-se no infinito?


Por que é que aquilo que faz a felicidade do homem acaba sendo também a fonte de suas desgraças?

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Tudo tem seu início…

21/09/2010 at 3:35 (Não categorizado)

Então, é a primeira vez que eu uso esse wordpress, não sei como será…

E vamos para a frente, né?

Boa leitura a todos a partir de agora…

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